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Quilómetros em viatura própria e ajudas de custo

Quando alguém pega no carro próprio para ir a um cliente, o valor de referência são 0,40 € por quilómetro. Até aí, e desde que a deslocação seja mesmo ao serviço, o pagamento não paga IRS nem contribuições para a Segurança Social. O que passar desse limite é tributado como se fosse salário.

Valores de referência em 2026

  • Viatura própria do trabalhador: 0,40 €/km isento.
  • Ajuda de custo diária, deslocação em território nacional: 65,89 €.
  • Ajuda de custo diária, deslocação ao estrangeiro: 148,91 €.
  • Membros de órgãos sociais: limites próprios, mais elevados.
  • Acima dos limites, o excedente é tributado em IRS e sujeito a contribuições.

A diferença entre ajuda de custo e quilómetros

São coisas diferentes, e confundi-las costuma sair caro. A ajuda de custo paga-se por dia e cobre o que a deslocação obriga a gastar, como dormida e refeições. O subsídio de transporte em viatura própria paga-se por quilómetro e compensa o desgaste do carro de quem viaja. Na mesma viagem podem andar as duas, cada uma com o seu limite.

O que a empresa tem de conseguir provar

Transferir o dinheiro não chega. Para a despesa ser aceite e o pagamento continuar isento, tem de haver um documento interno que diga que deslocação foi aquela e o que tinha a ver com a empresa. Esse documento chama-se boletim de itinerário.

ElementoPorque é exigido
Nome do trabalhadorIdentifica quem foi compensado
Matrícula e identificação da viaturaProva que a viatura é do trabalhador, não da empresa
Data de cada deslocaçãoLiga a despesa ao período e ao projeto
Local de origem e de destinoPermite verificar a distância declarada
Número de quilómetrosBase do cálculo, multiplicada pela taxa
Motivo da deslocaçãoDemonstra o interesse da empresa, requisito da aceitação fiscal
Valor por quilómetro e totalO montante pago e a sua decomposição

Faltando estes elementos, a administração fiscal pode não aceitar a despesa como gasto da empresa e passar a tratar o pagamento como rendimento do trabalhador, com o IRS e as contribuições que isso arrasta.

Tributação autónoma

Estas compensações estão sujeitas a tributação autónoma em IRC, com duas saídas. Não há tributação autónoma quando os encargos são faturados a clientes, nem quando o pagamento já é tributado em IRS do lado do trabalhador. É daquelas coisas que vale a pena confirmar com a contabilidade antes de fechar o ano.

Portagens, refeições e outros reembolsos

Portagens, parques e refeições em serviço reembolsam-se contra fatura. Ao contrário dos quilómetros, pedem comprovativo, e sempre que possível fatura com o NIF da empresa, que é o que deixa deduzir o IVA nos casos em que a lei o permite. Uma política interna de três linhas resolve quase todas as dúvidas: o que se reembolsa, com que comprovativo, até que valor.

Uma rotina mensal que funciona

  1. Cada pessoa regista a deslocação no momento, com data, origem, destino, motivo e quilómetros.
  2. As despesas que precisam de recibo ficam bloqueadas até alguém o anexar.
  3. O responsável aprova, com a taxa por quilómetro que a empresa definiu.
  4. No fecho do mês sai o boletim de itinerário por pessoa, em PDF, e o mapa de despesas em CSV para a contabilidade.

Perguntas frequentes

Quanto se paga por quilómetro em viatura própria em 2026?

O valor de referência é 0,40 € por quilómetro. Até esse montante, e cumpridos os pressupostos da deslocação, o pagamento é isento de IRS e de contribuições para a Segurança Social.

A empresa é obrigada a pagar 0,40 € por quilómetro?

Não. Os 0,40 €/km são o limite isento de tributação, não um mínimo obrigatório. A empresa pode pagar menos, ou mais, sendo que o excedente é tributado.

O que é o boletim de itinerário?

É o mapa que documenta cada deslocação feita em viatura própria, com trabalhador, viatura e matrícula, data, origem, destino, motivo, quilómetros e valor. É este papel que sustenta a despesa perante a administração fiscal.

Qual é o valor da ajuda de custo diária em 2026?

Em território nacional, 65,89 € por dia para trabalhadores em geral; nas deslocações ao estrangeiro, 148,91 €. Os membros de órgãos sociais têm limites próprios, mais elevados.

As ajudas de custo entram no recibo de vencimento?

Entram no processamento, identificadas como tal. Dentro dos limites, e sendo a deslocação real, não são tributadas. O que passar do limite paga IRS e contribuições.

Portagens e refeições pagam-se por quilómetro?

Não. São despesas autónomas, reembolsadas contra comprovativo. Os quilómetros compensam o uso da viatura.

Também te pode dar jeito

Escrevemos isto para ajudar, não para substituir um advogado. Resume a lei em vigor a 2026-09-22 e não dispensa a leitura do Código do Trabalho nem do instrumento de regulamentação coletiva que se aplique à tua empresa.